O romancista Altair Martins

Se, em 2009, Altair Martins ainda demonstrava algum desgosto com sua pouca exposição alcançada como escritor, sobretudo obviamente em São Paulo,[1] hoje podemos afirmar que ele já se tornou um nome bastante festejado. Ganhador de prêmios literários, vai compor mesa com André de Leones e Carlos de Brito e Mello (mediação de João Cezar de Castro Rocha) na Flip 2012.

Apesar de se ter destacado como contista, sua consagração se deu por conta do primeiro romance, A parede no escuro, publicado em 2008, que levou, entre outros, o Prêmio São Paulo. É um livro interessante e, diferentemente daqueles menos simpáticos com o leitor, faz o que pode para ganhar a amizade. Outro romance é aguardado e, segundo o autor, abordará o tema da identidade.

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A face mais banal de Francisco Alvim

O metro nenhum (Companhia das Letras, 2011), de Francisco Alvim, é a celebração de uma poética evidente já no título. Um livro cheio de advertências: montado por encomenda da editora; obra que realça a face mais “antipoética” do escritor, segundo Paulo Franchetti, e a mais “revolucionária”, como Zuca Sardan escreve na orelha, aquela diante da qual o “público mais fino pigarreia”. Continuar lendo “A face mais banal de Francisco Alvim”

Sousândrade ri no inferno

“– São as Antilhas os jardins dos mares, / Onde houve berço a geração moderna!” Com esses versos, provavelmente escritos em Nova York em 1870 e pouco, menos de uma década e meia depois de Baudelaire ter publicado As flores do mal, Joaquim de Sousa Andrade apresentava sua visão sobre a democracia norte-americana. Os versos acima são do Canto Nono de O Guesa, “epopeia da América Latina” – como diz a orelha do mais significativo comentário da obra de Sousândrade até hoje publicado, escrito pelos irmãos Campos. A falta de precisão nas datas é consequência da constante reescrita e do próprio enigma que a linguagem de Sousândrade emprega ao leitor que se aventura a decifrá-la. Continuar lendo “Sousândrade ri no inferno”

As hooooras de Katharina

Enquanto retornava de sola ao Brasil, em 1993, depois de um exílio mal explicado, e era recebido de forma ainda pior pela maior parte da intelectualidade local, Bruno Tolentino publicou As horas de Katharina, em 1994. Este livro também volta, agora, à pauta por conta desta edição, recém lançada, que inclui a peça A andorinha, ou: A cilada de Deus. Continuar lendo “As hooooras de Katharina”