Perec, Borges e Oulipo

Literatura e Matemática, de Jacques Fux, publicado em 2016 pela editora Perspectiva, pesquisa as relações entre Georges Perec e Jorge Luis Borges sob o viés da Matemática e Lógica.

Além de focar seu estudo em um campo pouco explorado dos estudos comparados no Brasil, o livro abre espaço para questionamentos que precisam ser feitos àqueles que produzem literatura atualmente. Continuar lendo “Perec, Borges e Oulipo”

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A poesia na “era digital”

O artista norte-americano Kenneth Goldsmith publicou agora em 2016, no Brasil, a obra trânsito*. O livro é uma versão em português de Traffic, lançado em 2007 nos Estados Unidos, dublada agora, no caso, por dois jovens poetas, que ainda sondam um caminho mais próprio. Uso o termo “dublado”, pois foi assim que o livro foi exposto no papel por seus tradutores. Também em sua apresentação, na internet, lê-se que o trabalho é composto “de textos que transcrevem os engarrafamentos transmitidos por uma rádio de trânsito em São Paulo na véspera de um final de semana prolongado”, acrescentando-se que “a versão brasileira dublou o mecanismo do original, chegando a um texto que, entre o ready-made e a crônica, transforma o material descartável das ondas de rádio em livro”. Continuar lendo “A poesia na “era digital””

A Poesia Viva de Paulo Bruscky

A Poesia Viva de Paulo Bruscky foi publicada pela Cosac Naify em parceria com a Associação para o Patronato Contemporâneo em livro sem numeração de página, com a lombada exposta, apenas com uma cinta de papel amarelo trazendo o nome da obra e do autor. Na estante, um leigo não saberia de quem é, do que se trata. Neste caso, mais que em qualquer outro, não se deve julgar o livro pela capa, pois não há. Continuar lendo “A Poesia Viva de Paulo Bruscky”

Má-fé na tradução

Má-fé, no sentido sartriano de enganar não apenas os outros, mas também de enganar-se, é o conceito usado por Cyril Aslanov para discorrer sobre A tradução como manipulação (Ed. Perspectiva e Casa Guilherme de Almeida, 2015). Em seu livro, o professor israelense expõe e comenta casos de falsificações, negligências, censuras, motivações políticas, boicotes, deficiências do Google Tradutor, bajulações, apropriações e também casos em que a má-fé percorre outras camadas do texto, por vezes chegando ao seu estatuto ontológico. Continuar lendo “Má-fé na tradução”

Guia de sobrevivência aos Rolling Stones

Under their thumb: Como um bom garoto se misturou com os Rolling Stones e sobreviveu para contar (Nova Fronteira, 2011), escrito por Bill German, possui uma diferença em relação a muitos dos infinitos livros e biografias sobre os Stones. Ele não conta a história da banda ou de seus integrantes, conta a história de um fã, que por sinal é o próprio autor.

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Uma viagem ao deserto interior

Viagem a um deserto interior, de Leila Guenther, com ilustrações de Paulo Sayeg e orelha de Alcides Villaça, publicado em 2015 pela Ateliê Editorial com capa branca, imagem negra e tipos vermelhos no título, anuncia desde então seu contato com a disciplina e a assertividade discreta do Oriente, bem como com a falência de um Ocidente em que a cultura do excesso se revela desértica em nosso íntimo. Continuar lendo “Uma viagem ao deserto interior”

Glauber Rocha e a revolução sussuarana

Faz mais de 30 anos que Glauber Rocha morreu.

Por mais de 30 anos o único romance que ele escreveu ficou esgotado. Trata-se de um livro exigente potente verborrágico alucinatório descontínuo polêmico vociferante ousado erudito&transgressor lisérgico fantasmagórico virulento cangaceiro memorialístico histórico político violento escatológico&ezcatologyko como adjetivam por aí.

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