e temos que temer a tempestade

buscar nas pedras altas um abrigo
sob a rocha a chuva sobre o excremento
dos insetos dos morcegos dos homens

são dois os nomes dos demônios fracos
sobre nós um deles planta seus monstros
dentro de nós plantamos nosso inferno
e recostamos úmidos sobre o húmus

nosso próprio nome é o que mais dá medo
mas temos que esconder a tempestade
do olhar e do olfato dos mais amados
pelo deus que escorre das mãos do tempo

contra a madrugada o sol com tentáculos
esconde a sombra deste labirinto
que aproxima cada vez mais da morte
por mais que o corpo ingênuo pulse vivo

os raios cessam os trovões persistem
os tremores também pessoas correm
a falir igrejas lotar cassinos
e orar frente os joelhos de um carcará

contando os dias da revelação
que mesmo conhecida é sem efeito
na quarta vigília deste ano sexto
que termina mas não se apagará

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