Kurosawa: pesadelo nuclear e utopia natural

Mais de dez anos antes do terremoto que colocou o Japão diante do mais caro desastre de sua história, que já soma mais de 15 mil mortos, Akira Kurosawa pintava um apocalipse nuclear semelhante, mas em cores bem mais vivas. Continuar lendo “Kurosawa: pesadelo nuclear e utopia natural”

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As hooooras de Katharina

Enquanto retornava de sola ao Brasil, em 1993, depois de um exílio mal explicado, e era recebido de forma ainda pior pela maior parte da intelectualidade local, Bruno Tolentino publicou As horas de Katharina, em 1994. Este livro também volta, agora, à pauta por conta desta edição, recém lançada, que inclui a peça A andorinha, ou: A cilada de Deus. Continuar lendo “As hooooras de Katharina”

A retirada estratégica de Drummond

Em fevereiro de 1957, um Mário Faustino tão irônico quanto precipitado clamava do coreto da “praça de convites” pelo retorno do sr. Carlos Drummond de Andrade ao front. Suas palavras, proferidas por meio de Poesia-Experiência, a página de poesia do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, eram focadas na agonia do momento poético brasileiro e traziam à tona um Drummond entrincheirado no campo literário daquele período. Continuar lendo “A retirada estratégica de Drummond”

Treva alvorada de Mariana Ianelli

Mariana Ianelli, neta de um mestre das artes plásticas, é bastante jovem. Apesar disso, possui um currículo tentador para o mercado editorial. Publicou seu primeiro livro aos 20 anos e outros cinco volumes em um intervalo de praticamente dez anos, todos pela Iluminuras (com tratamento gráfico impecável).

Ela também é mestre em Letras pela PUC-SP, ela colabora com resenhas para a grande imprensa, foi duas vezes finalista do Jabuti, outra do Bravo! Prime de Cultura e ainda recebeu, em 2008, o valioso Prêmio Fundação Bunge (antigo Moinho Santista) de literatura na categoria Juventude.

Com essa constelação de obras, prêmios e colaborações, a recente publicação de mais um livro de poemas, Treva alvorada (Iluminuras, 2010), de Mariana Ianelli, é digna de atenção. Continuar lendo “Treva alvorada de Mariana Ianelli”

A África mascarada de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa foi para a África do Sul dois anos depois do falecimento de seu pai. Em razão das segundas núpcias de sua mãe com o cônsul de Portugal em Durban, Pessoa passou a morar nessa cidade, onde ficou por praticamente dez anos. Exceto o período entre 1901 e 1902, quando esteve de férias, lá viveu dos 7 aos 17 anos de idade. Morreu apenas 30 anos depois.

O fim do século 19 marcou a África do Sul pela consolidação da hegemonia britânica sobre a Europa e a África. Influência atuante até o primeiro quarto do século 20, essa cultura montada no calvinismo, e admirada por Fernando Pessoa, tornou-se a responsável por moldar a educação do jovem poeta.

Apesar de ter sido um momento-chave para a estratificação da(s) sua(s) personalidade(s), não há nenhuma referência por parte de Fernando Pessoa ao tempo em que viveu na África. E, nas raras vezes em que mencionou a educação que teve na juventude, o fez como tendo sido de procedência inglesa.

A escola que frequentou naquela época chama-se Durban High School, em tudo voltada para os padrões ingleses, da grade curricular ao corpo docente. Foi nela que ele estruturou seu paideuma, essencialmente em inglês, incluindo Shakespeare, Milton, Carlyle e Macaulay.

Alexandrino E. Severino atribui a esse distanciamento que surgiu entre o poeta e cultura e língua portuguesas a possibilidade de Pessoa ter operado uma renovação no idioma lusitano. Mais que isso, os heterônimos que marcaram a obra pessoana são a evidência de uma exploração única do conceito de alteridade, principalmente, e contraditoriamente, com relação a si mesmo.

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