Perec, Borges e Oulipo

Literatura e Matemática, de Jacques Fux, publicado em 2016 pela editora Perspectiva, pesquisa as relações entre Georges Perec e Jorge Luis Borges sob o viés da Matemática e Lógica.

Além de focar seu estudo em um campo pouco explorado dos estudos comparados no Brasil, o livro abre espaço para questionamentos que precisam ser feitos àqueles que produzem literatura atualmente. Continuar lendo “Perec, Borges e Oulipo”

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e temos que temer a tempestade

buscar nas pedras altas um abrigo
sob a rocha a chuva sobre o excremento
dos insetos dos morcegos dos homens

são dois os nomes dos demônios fracos
sobre nós um deles planta seus monstros
dentro de nós plantamos nosso inferno
e recostamos úmidos sobre o húmus

nosso próprio nome é o que mais dá medo
mas temos que esconder a tempestade
do olhar e do olfato dos mais amados
pelo deus que escorre das mãos do tempo

contra a madrugada o sol com tentáculos
esconde a sombra deste labirinto
que aproxima cada vez mais da morte
por mais que o corpo ingênuo pulse vivo

os raios cessam os trovões persistem
os tremores também pessoas correm
a falir igrejas lotar cassinos
e orar frente os joelhos de um carcará

contando os dias da revelação
que mesmo conhecida é sem efeito
na quarta vigília deste ano sexto
que termina mas não se apagará

luther, cidade adeus já fez 2 anos

adeus cidade

celebro o dia dos mortos com uma correspondência inédita do protagonista de cidade adeus, salva em outubro de 2014.

eleitos

eles contaram menos de três milhões, luther
a diferença foi pouca mas muito grande
noutro ponto de vista, sim, foi apertada
um aperto de quem antecipa edição
de revista com capa de denúncia contra
de quem espalha boato de queima de arquivo
de homicídio na véspera da votação
de quem busca apoio em artista global
e jogador de futebol, de quem se esquece
ao invés do discurso justo de igualdade
e de gente admirável, que prefere a grana
ao ser humano, que chama de cristão
o ladrão, urna já foi um dia palavra
sagrada, desde então vem servindo de caixa

por outro lado vem a guerrilha armada
desenhando nos passos a lama vermelha
a excitar as paixões e com ela o sistema
desdenhando o discurso em prol do mais do…

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A poesia na “era digital”

O artista norte-americano Kenneth Goldsmith publicou agora em 2016, no Brasil, a obra trânsito*. O livro é uma versão em português de Traffic, lançado em 2007 nos Estados Unidos, dublada agora, no caso, por dois jovens poetas, que ainda sondam um caminho mais próprio. Uso o termo “dublado”, pois foi assim que o livro foi exposto no papel por seus tradutores. Também em sua apresentação, na internet, lê-se que o trabalho é composto “de textos que transcrevem os engarrafamentos transmitidos por uma rádio de trânsito em São Paulo na véspera de um final de semana prolongado”, acrescentando-se que “a versão brasileira dublou o mecanismo do original, chegando a um texto que, entre o ready-made e a crônica, transforma o material descartável das ondas de rádio em livro”. Continuar lendo “A poesia na “era digital””

A Poesia Viva de Paulo Bruscky

A Poesia Viva de Paulo Bruscky foi publicada pela Cosac Naify em parceria com a Associação para o Patronato Contemporâneo em livro sem numeração de página, com a lombada exposta, apenas com uma cinta de papel amarelo trazendo o nome da obra e do autor. Na estante, um leigo não saberia de quem é, do que se trata. Neste caso, mais que em qualquer outro, não se deve julgar o livro pela capa, pois não há. Continuar lendo “A Poesia Viva de Paulo Bruscky”